sobre

O QUE É
Um livro de fotografias de árvores, cada uma associada a um compositor; inclui sugestões de escuta (1 a 3 cds por compositor), disponíveis em uma playlist no Spotify.

MAIS DETALHES
São 150 fotos, a maioria em preto e branco, e todas tiradas com iPhone, entre 2015 e 2017 – a grande maioria delas, entre março e maio deste ano. Cada foto vem acompanhada do nome de um compositor e do lugar onde foi tirada. As fotos estão reunidas em grupos, por afinidade visual e botânica.
A parte principal do livro, “Árvores”, é formada por 144 fotos. Três compõem a seção “Sombras”, as únicas que não são de árvores; e outras três são “Canções” (de Tom Jobim). 
Os compositores vão de Abrahamsen a Zimmermann, de Bach, Beethoven e Brahms a Walton, Weber e Webern, para ficar só nos extremos do alfabeto.  São quase todos da música clássica, do passado mais remoto (música medieval) aos dias de hoje (música contemporânea), mas sem pretensão de cobrir enciclopedicamente o conjunto. 
Entraram também Irving Berlin e Gershwin, representantes da canção popular, além de Tom Jobim, que tem lugar especial.

UM GÊNERO PRÓPRIO
Qual a ligação entre cada árvore e seu compositor? É uma associação pessoal de Arthur Nestrovski – conhecido como violonista, compositor e diretor artístico da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) –, mirando sempre na essência expressiva da música de determinado compositor.  Não são fotos de árvores, no sentido habitual; muito menos, ilustrações da música. Pode-se dizer que a ligação entre árvore e música cria uma espécie particular de poesia (por falta de outro termo). Mas essa é uma poesia sem palavras, que só funciona nesse contexto e depende da lembrança da música, seja a obra em geral de um autor, seja uma peça específica. Daí o sentido das “Escutas”, na última parte do livro, e também da playlist no Spotify, para quem quiser ouvir as obras (e interpretações) escolhidas.

NESTROVSKI FOTÓGRAFO
Nem ele se descreve assim, nem imagina que fará outro livro de fotos. Esse nasceu por acaso: um post no Facebook, em março passado, que acabou gerando outras fotos e mais outras, até virar projeto de livro. O que provocou uma inusitada rotina diária de caminhadas fotografando árvores pelas ruas de São Paulo (Pacaembu, Santa Cecília, Higienópolis, Consolação, Campos Elíseos, Luz). O livro vem também com algumas fotos tiradas nos últimos dois anos em outras cidades (Porto Alegre, Rio de Janeiro, Lisboa, Coimbra, Porto, Londres), além de fotos na Serra da Mantiqueira.

EDIÇÃO E VENDA DAS FOTOS
Um pequeno número de fotos, em tiragem de 10 cada, está disponível para venda na loja virtual da Circus. Outras ficarão disponíveis para download gratuito.

PLAYLIST
A playlist no Spotify será regularmente renovada, para contemplar, aos poucos, o acervo de mais de 400 cds mencionados nas “Escutas”.

 

ARTHUR NESTROVSKI é o Diretor Artístico da Osesp, desde 2010. Violonista e compositor, lançou, entre outros, os cds Jobim Violão e Chico Violão (ambos pela Biscoito Fino), o dvd O Fim da Canção (com Zé Miguel Wisnik e Luiz Tatit, selo Sesc) e, mais recentemente, o cd Pós Você e Eu (com Lívia Nestrovski, selo Circus). Autor de vários livros de crítica, como Notas Musicais e Outras Notas Musicais (Publifolha), escreveu também dez livros para crianças, incluindo Histórias de Avô e Avó (Companhia das Letrinhas) e Bichos Que Existem e Bichos Que Não Existem (CosacNaify, Prêmio Jabuti de Livro do Ano 2003). Formado em música pela Universidade de York (Inglaterra) e Ph. D. em literatura e música pela Universidade de Iowa (eua), é também, desde 2012, o Diretor Artístico do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão.

 

ENTREVISTA COM ARTHUR NESTROVSKI

De onde veio a ideia desse livro?
O livro nasceu por acaso. Um post no Facebook, em março passado, uma foto com detalhe de galhos de uma árvore no Parque Moinhos de Vento, em Porto Alegre, acompanhada da legenda “Debussy”. Foi uma ideia espontânea, ali mesmo, na hora de criar uma legenda para postar a foto. No dia seguinte, postei “Scriabin”; e assim foi indo. Não havia a menor sugestão de que pudesse virar o que virou.

Quando você resolveu que as fotos seriam reunidas em livro?
Não fui eu, foi a Claudia Cavalcanti. Foi ela quem ficou me provocando para tirar mais fotos; e foi ela quem, primeiro, anteviu o livro e se animou com ele, e depois me convenceu também. Todas as fotos passaram pelo crivo dela. Quem organizou tudo e dividiu as fotos em grupos foi ela. Quem deu o nome do livro foi ela, com característica profunda simplicidade. Quem insistiu nas sugestões de escuta foi ela. Há dois meses que nós quase só falamos disso! O mínimo que posso dizer é que o livro é tão dela quanto meu.

Qual a ligação entre as árvores e os compositores?
Mais fácil dizer o que não é: não é ilustração direta. Também não é metáfora. E não é algo que se possa racionalizar com facilidade. Claro que há uma dose grande de subjetividade nas associações com os compositores; mas é a subjetividade de alguém que passou a vida ouvindo música e para quem cada nome de compositor ou de obra destrava quase que imediatamente uma dimensão afetiva. É essa dimensão que importa, posta em jogo pela visão transformada das árvores em fotografias. Complicado de explicar, imediato de entender. E ninguém precisa concordar com as minhas escolhas.
Cada leitor fica livre para escolher outros compositores, ou trocar as árvores.

E quanto à escolha dos compositores? 
Cabe deixar claro que não são os “mais importantes”, nem os “favoritos”. Foram os que vieram por associação, livremente. Verdade que, chegando a um certo estágio, também comecei a procurar árvores que permitissem incluir X ou Y, que não queria deixar de fora do livro por nada. Mesmo assim, ficou de fora muita gente. William Byrd, por exemplo, para citar um nome da Renascença. Ou György Kurtág, para mencionar um contemporâneo. O bom senso falou mais alto na hora de dar um limite a algo que poderia continuar infinitamente. 150 fotos já está mais do que bom.

Alguma ideia para outro livro de fotos?
Fazer essas fotos, pensando no livro, me deixou num estado alterado por cerca de dois meses. Foi algo que surgiu de modo totalmente imprevisto, e que me lançou numa aventura curiosíssima. A combinação de fatores, essa associação entre árvores e música justifica, talvez, o resultado; mas não faz de mim um fotógrafo. Não tenho qualquer ideia de fazer outro projeto assim. Vou continuar tirando fotos no dia a dia, por prazer, postando no Facebook e no Instagram. Mas, convenhamos: já está na hora de voltar para a música. Sem árvores. 

[19/5/2017]